Mortalidade precoce dos escritórios de arquitetura [GA]

Ona BCN
A mortalidade precoce de empresas é uma realidade de todos os setores, não é exclusividade de nosso campo. Pouquíssimas iniciativas empreendedoras sobrevivem mais de cinco anos no mercado em geral. Naomi Stanford informa que na Grã-Bretanha de 2013, o Escritório de Estatística Nacional (Office for National Statistics) relatava uma taxa de sobrevivência de empresas nascidas em 2007 de apenas 44%. A maioria das empresas, novas ou estabelecidas a mais tempo, acabam por sucumbir em algum momento.

Apesar de ser um problema global, nós aqui temos (muitas) falhas próprias, que outros setores não possuem, grande parte delas decorrente de desconhecimentos. Arquitetos não estão preparados para gerir seus próprios escritórios – e deveriam estar. É um paradoxo, porque somos intensamente incentivados, direta e indiretamente, ao longo de nossa formação, a investir em carreiras próprias, desenvolver nossos próprios projetos, abrir nossos próprios escritórios.
O modelo de atuação profissional do arquiteto autoral, que construiu uma marca de destaque é onipresente na formação seminal de novos profissionais e nas publicações especializadas. Como bem observou Pedro Arantes em sua tese de doutorado, os grandes ícones arquitetônicos, (que ele chama de arquitetura da exceção) respondem por algo na ordem de 0,1% da produção arquitetônica mundial, mas beneficiam-se da quase totalidade do espaço disponível em revistas especializadas, exposições e premiações no campo. É claro que acabam se tornado referências de sucesso profissional.
Mas esse incentivo à arquitetura autoral não vem acompanhado do ferramental básico necessário para a administração de qualquer empreendimento, muito menos de empresas tão desafiadoras e complexas quanto aquelas que se propõem a atuar com criação. Nos fazem crer que a capacidade técnica é tudo o que precisamos dominar para termos uma vida profissional adequada, e que a maestria técnica é o caminho absoluto para a consolidação de nossa marca no mercado, do reconhecimento profissional. Claro que esses elementos são muito importantes nesse trajeto, mas pouca gente tenta nos contar que existem outros elementos essenciais que precisamos dominar tanto quanto os técnicos. E que nada têm a ver com as questões usualmente tratadas pela arquitetura.
[o texto acima é um trecho inicial do livro Gestão do escritório de arquitetura]
Saiba mais:
Gestão do escritório de arquitetura - capa do livro

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