Novo lançamento: um prédio velho

DIREITOS AUTORAIS PROTEGIDOS NA FORMA DA LEI. CITE A FONTE.

por Ricardo Trevisan

Até alguns anos atrás eu ainda me perguntava de onde vem o gosto pelas fachadas antigas. Em empreendimentos de alto padrão, o mais ousado é o Art Dèco (que a força de vendas das incorporadoras chama de Neoclássico Contemporâneo), para que os ignorantes possam receber o conforto da protocompreensão de que há valor agregado nas linhas da maquete.

Mais recentemente entendi que o atraso não estava na oferta, e sim na demanda. O produto é desenhado de acordo com seu mercado. Parece muito óbvio fazer isso, mas será que deveríamos? Vejo uma perspectiva para repensarmos este ponto.

Trata-se da perspectiva da inovação. Se seguíssemos sempre o que o mercado nos diz, não teríamos criado o walkman, portanto não teríamos o iPod. Aliás, não teríamos quase nenhum produto atual da Apple. Muitos dos melhores produtos que temos hoje partiram de uma percepção de que o mundo mudaria em uma determinada direção. Se nos afastarmos um pouco do que estamos fazendo diariamente, será que continuaríamos acreditando que poderemos continuar fazendo o que fazemos hoje indefinidamente? Suponhamos agora que chegamos à conclusão que o mercado vai mudar, que no futuro as pessoas vão querer morar em imóveis cujas fachadas combinem com seus notebooks, iPods, iPads, eletroeletrônicos, móveis, etc. Isso significaria que deveríamos começar a nos preparar para uma reviravolta. Mas a partir de quando mudar nossos produtos? E o mais importante: será que a mudança vai começar por um ofertante? Se um player do mercado será o estopim da mudança, quem será o pioneiro?

Lembre-se de Al Ries! O mercado tem maior facilidade para se lembrar do pioneiro, apenas do pioneiro. Você se lembra quem foi o segundo homem a pisar na lua? Quem foi o segundo homem a cruzar o Atlântico num avião? Aliás, aproveitando Ries, poderíamos ir mais longe: nosso mercado imobiliário ainda não criou verdadeiras marcas, identificáveis. Veja os lançamentos de seus concorrentes e compare com os seus. E então, responda sinceramente: seu consumidor sabe separar seus produtos dos concorrentes?

Pois é…

Os erros dos condomínios horizontais em São Paulo

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por Ricardo Trevisan
Os condomínios horizontais (condomínios de casas) surgiram na mente do consumidor durante os anos 1980 com a divulgação de empreendimentos do tipo Alphaville, na forma de grandes loteamentos fechados de alto padrão. Apesar deste modelo ter tido sucesso e se desenvolvido por todo o país, não é o mais comum de São Paulo. Aliás, nem é exatamente um “condomínio” a rigor. Os condomínios, em geral, estão num único lote, onde cada unidade autônoma possui uma quota parte do terreno, tal como ocorre em condomínios verticais (prédios de apartamentos).
A legislação municipal (em especial a lei de vilas) permitiu, a partir de meados dos anos 1990, a viabilização econômico-financeira de Continuar lendo Os erros dos condomínios horizontais em São Paulo