Que riscos o Brasil corre?

O Ministro da Fazenda Guido Mantega anunciou no último dia 6, que o país não cumprirá a meta cheia de superávit primário e deixou alguns analistas apreensivos. Isso ocorre porque o tal superávit primário é o resultado das contas do governo, tirando apenas o pagamento dos juros. O conceito é o de sempre: receitas menos despesas. Há vários anos o Brasil vem fazendo sua lição de casa e cumprindo essa meta, motivo pelo qual não estamos mais tão vulneráveis a ataques especulativos estrangeiros, como ocorreu nos primeiros anos do Plano Real.

O que significa não cumprir essa meta? Significa que nossas contas já não estão mais tão positivas, há um equilíbrio maior entre entradas e saídas de recursos. Mas pouco se disse que nos últimos anos o Brasil tem também batido recordes de arrecadação. A União nunca arrecadou tanto. Portanto, o governo nunca gastou tanto como atualmente. E os entusiastas das políticas econômicas atuais podem perguntar: há algum problema nisso?

Façamos uma análise fria para responder. Economias da Europa e Estados Unidos ainda estão em recuperação (e vai demorar para voltarem à linha natural de tendência). A Europa tem profundos problemas fiscais que não serão solucionados do dia para a noite, possuem endividamento muito alto em relação à arrecadação atual. Agora precisam reduzir bruscamente os gastos públicos, penalizando toda a população. Por que se endividaram tanto? Por que no passado suas economias iam bem. Exatamente como ocorre no Brasil de hoje. Mas foram surpreendidos pela crise bancária americana de 2008. Algumas economias, como a espanhola e a grega ampliaram muito seus endividamentos para bancar Jogos Olímpicos, emitindo títulos que não estão agora conseguindo pagar. Alguma semelhança? Continuar lendo