O governo vai tirar a colher?

A política intervencionista do governo federal já vem prejudicando o ambiente de negócios há muito tempo. Curiosamente, um dos setores mais prejudicados é justamente o das estatais. A Petrobrás perdeu 50% de seu valor de mercado em relação ao patrimônio líquido entre janeiro/11 e junho/13. O Banco do Brasil perdeu 37,5%. E a Eletrobrás – pasmem – perdeu 75,55% no mesmo período.

Mas o governo preferiu ignorar estes sinais e seguiu em frente em seu “estilo”. Resultado: o nível de investimento na economia está em níveis muito baixos, o que vai comprometer o PIB dos próximos trimestres. Sinal claro foi o fracasso dos leilões de concessões de rodovias.

O atual cenário levou o Ministro Guido Mantega a sinalizar hoje uma redução no intervencionismo, uma medida já esperada de um governo sensato.

Portanto, foi uma surpresa.

Saudades do Malocci

Economia é um ramo do conhecimento classificado como ciência. O que classifica assim uma área de conhecimento é a presença de modelos que reproduzam a realidade com elevado grau de confiança, ou seja, que apresente modelos teóricos explicativos da natureza de alguma coisa. É assim com a matemática, a física, a química, a biologia,… e com as ciências econômicas, para usar o termo mais adequado.

O consenso em classificar as ciências econômicas como tal é mundialmente aceito, pois seus modelos explicam com propriedade o comportamento do ser humano ao gerir escassos recursos em qualquer ambiente, da África subsaariana à extinta União Soviética, passando pelos países nórdicos ou remotas ilhas do Pacífico.

Pois bem, uma das constatações mais aceitas na economia é a de que a estabilidade prolongada de uma economia traz crescimento. E temos um laboratório corroborando tal teoria a nossos pés: após a estabilização da economia (1994) seguiram-se longos anos de esforço em mantê-la sob controle até 2006. Seus responsáveis foram basicamente dois: Pedro Malan e Antonio Palocci. O par é às vezes chamado de “Malocci”. Durante esse período o Brasil se preparou para (e efetivamente conseguiu sob muitos aspectos) ser grande. De verdade. Ganhou agilidade, o PIB cresceu, o desemprego caiu, recebemos mais Investimento Estrangeiro Direto (IED), a renda aumentou, o brasileiro em geral melhorou de vida. E estávamos nos preparando para atingir um novo patamar. Continuar lendo

A economia não vai tão bem assim…

Aparentemente, nossa economia vai bem. A inflação está sob controle há 18 anos. Há ascensão social na base da pirâmide. O desemprego está num dos níveis mais baixos de nossa história. O Brasil é mercado atraente para empresas estrangeiras e internacionaliza suas próprias empresas. Tudo vai bem. Aparentemente.

Mas na vida real, o brasileiro já percebeu que seu salário maior também foi acompanhado de elevação de preços, principalmente em setores de competitividade geograficamente limitada, como algumas modalidades de prestação de serviços.  E que não para por aí, vendo índices oficiais de inflação (como o IPCA) insistentemente acima da meta colocada pelo próprio governo.

Percebeu que os estrangeiros que investem aqui (a) fogem de mercados em colapso, como o europeu, e (b) já não investem tanto no Brasil quanto no México e no Chile (citando apenas nossos concorrentes mais próximos). Continuar lendo