Um dia que vai durar séculos

Amanhã as urnas brasileiras estarão à espera de mais de 156 milhões de eleitores para uma das decisões mais importantes de nossa história. O país vai tomar uma decisão democrática entre as duas posições antagônicas representativas das mais enraizadas orientações sociais latinoamericanas desde as suas independências nacionais, e não deveríamos deixar nossas emoções e crenças desfocar esse contexto maior. O resultado coletivo da decisão de cada indivíduo, seja ele qual for, provavelmente será estudado por séculos futuros.

Não vou aqui defender nenhum dos dois lados, apesar de ter decidido o meu há muito tempo. Faço apenas uma humilde manifestação pela consciência coletiva, pelo bem maior.

Alguns dias atrás, um cidadão brasileiro, conterrâneo nosso, pediu uma ajuda para poder voltar para casa. Veio a Brasília para acompanhar o tratamento médico de um familiar, mora longe, e não tinha dinheiro suficiente (e precisava de muito pouco) para comprar uma passagem de retorno para seu lar.

Descobri que eu não podia ajudá-lo naquele momento porque ele, pessoa humilde, não tinha como receber Pix. Suas mãos comprovavam ser um trabalhador dedicado, exercendo trabalho braçal pesado. Sua magreza comprovava que tudo o que obtém de seu trabalho está longe de ser suficiente.

Amanhã eu ficarei muito honrado se puder votar como se fosse ele. Em fazer coro a uma voz solitária, apesar de ser mais uma entre milhões.

Como cidadãos de um dos países mais injustos e desiguais do planeta, creio que deveríamos deixar nossas reclamações de lado neste dia e mover literalmente um dedo por quem realmente enfrenta o desespero diariamente (e com muito mais elegância que os bem alimentados, diga-se de passagem).

Deixe seu chapéu em casa, vote com a cabeça bem arejada. Garanto que não estou pedindo por mim.

 

Ricardo Trevisan, 29/10/2022

6 comentários em “Um dia que vai durar séculos”

  1. A sua manifestação, em solidariedade e defesa dos mais pobres e necessitados deixa claro demais para que lado vai o seu voto (o mesmo lugar para onde vai o meu).
    Exatamente por isto. Porque de um lado estão os que se solidarizam com os pobres e do outro lado estão os outros.
    E, como eu ouvi de um líder estudantil, nos anos 1980: “uns estão com uns e outros estão com os outros”.

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  2. O posicionamento político fica em último plano quando exercemos a empatia com os que mais sofrem. Você não votou com a cabeça, votou com o coração. Sou seu fã.

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  3. O sentimento de compaixão, que você descreve no texto, é talvez o mais nobre na humanidade e o que me faz ter esperança de vamos evoluir como sociedade. Parabéns! Somos juntos!

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