Fusão operacional entre BB e Caixa: a consagração das obviedades para os negócios imobiliários

Esqueça por um instante partidos e posições políticas. Esqueça a ideologia que você acredita ser a mais correta sobre a participação do Estado na economia. Tente imaginar uma explicação para um estrangeiro sobre como funcionam os bancos do governo no Brasil. São quatro instituições: Banco Central, BNDES, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.

A função do Bacen é fácil de explicar, basta falar da execução da política monetária, fiscalização, regulação, comparar com o Fed e o BCE, e o cara já entendeu. O BNDES é o banco de fomento, de transferência de recursos públicos, de crédito para o investimento (conceito econômico, aquele que faria o PIB crescer, se fosse maior). O BB é um banco de varejo. De economia mista, vá lá, é a vontade de nossos governos que seja assim, faz parte de nossa cultura bancária, enfim… Tem seu core business na competição direta com os bancos privados. E a Caixa é o banco da habitação, do negócio imobiliário, da operação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço do trabalhador – FGTS, dos programas sociais, dos programas de transferência de renda, e da poupança. E um pouco mais. E do varejo também… E das agências capilares… E do fomento também… E da transferência de recursos públicos também… E do crédito para investimento também

É… vai ser difícil fazer o estrangeiro entender. Por que o governo precisa manter estruturas sobrepostas para fazer coisas similares? Por que precisaria competir consigo mesmo? E, principalmente, por que executar programas com estruturas cujo core knowledge seja outro? Não há como não pensar em perda de eficiência. Em estruturas públicas! Com recursos da sociedade brasileira.

Por isso não vejo com espanto a notícia da fusão de algumas operações do varejo comercial entre BB e Caixa (o BB certamente tem ganhos de eficiência nisto), assim como não veria com espanto a fusão do negócio imobiliário, onde a Caixa tem inegável supremacia, conhecimento, experiência e excelência técnica – basta lembrar que foi ela que herdou toda a estrutura e capital humano do BNH, um banco copiado no mundo inteiro pelo modelo inteligente de circulação de créditos e fomento a habitação e infraestrutura. Hoje, a operação imobiliária no Banco do Brasil, por mais que tenha crescido, ainda é uma sombra  do expertise da CEF. E, sinceramente, acredito que esta é uma obviedade que seria executada por qualquer linha partidária ou ideológica, porque até aqui não entraram em discussão privatizações / estatizações, ou maior ou menor participação do Estado na economia de mercado. Trata-se apenas de um ajuste no aparelhamento estatal, que pode trazer a tão esperada eficiência no uso dos recursos públicos.

Mas, como estamos falando de Brasil, a ideia sendo boa não garante nada. Vide o fim que levou o BNH. Tratemos de fiscalizar de perto a execução prática da obviedade teórica.

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