Por que o PIB do Brasil está tão mal?


O PIB, o indicador de criação de riqueza mais divulgado, é composto de quatro partes: investimento, consumo das famílias, gastos do governo e contas externas.

Investimento é a aplicação de recursos em fatores de produção, ou seja, em capital fixo instalado para gerar riquezas futuras. Importante: inclui a compra de habitação pelas famílias. Como o mercado imobiliário teve um boom artificial nos últimos anos, pesou muito positivamente neste item. Mas o
total de investimentos foi muito baixo, porque o governo atual criou um ambiente de insegurança para quem investe no Brasil: ampliou a intervenção na economia, usou as estatais como ferramentas macroeconômicas (as quais ficaram com o ônus dessa política), interviu no setor elétrico reduzindo a livre competição entre players produtores e distribuidores, foi negligente no combate à inflação colocando nossa estabilidade em risco, entre outros fatores. Com isso, as empresas brasileiras (que deveriam estar investindo no país) desinvestiram em 2014. Isso é pior que não investir, é liquidar e reduzir o que havia sido investido antes. Sem investimento, a perspectiva é que não haja criação de riquezas. Portanto, o país tende a ficar mais pobre nos próximos anos. Para mascarar este problema, o governo “cozinhou” os números para que a sujeira debaixo do tapete não ficasse tão evidente (a contabilidade criativa, que nenhum país sério deste planeta aceita). Nem o boom imobiliário salvou…

O consumo das famílias foi artificialmente inflado pelo Bolsa Família e pelo crédito farto nos últimos anos. Mas este item tem resultados de curto prazo (que só interessa a políticos), não cria condições para criação de riqueza futura. Além disso, quando as famílias consomem, deixam de poupar, e a poupança agregada de um país financia seus investimentos. Sem poupança, sem investimentos. E sem produção de riquezas. E ficamos todos mais pobres. Para piorar, o excesso de crédito deixou as famílias endividadas, o que exaure a possibilidade deste item voltar a ajudar significativamente nos próximos anos. E lembre-se que a dívida habitacional não faz parte deste item, portanto o endividamento das famílias brasileiras é pior que o alto consumo artificial recente. Quem vai vender para endividados? Isso diminui os investimentos, e ficamos ainda mais pobres…

Os Gastos do Governo são limitados pela Lei de Responsabilidade Fiscal (que o PT votou contra). Mas os atuais governantes do país estão fazendo de tudo para burlá-la. Inclusive mudando a lei. Nos últimos anos, o governo gastou muito, e mal. Qualquer país sério investe em sua indústria nascente, estimula a competição, para que sua população tenha bens e serviços melhores e mais baratos. O governo brasileiro fez o contrário, investiu nas grandes e poderosas, alimentou os monopólios e oligopólios. O governo investiu, por exemplo, nas empresas de Eike Batista (grupo EBX), que destruíram tanto valor a ponto de quebrar. E lá se foi a nossa poupança agregada… O governo ignorou a crescente característica urbana do país e pouco investiu em infraestrutura das cidades. Quando percebeu, a população já estava nas ruas. Enquanto o mundo investe em transporte público e limpo, o Brasil baixou o IPI de automóveis, transporte individual, poluidor, ineficiente e que não resolve o problema da mobilidade urbana. E as bicicletas continuaram sendo tributadas normalmente… Agora o país sente a falta de água, de energia, de segurança, de educação, de saúde, de transporte, de muitas coisas, porque o governo preferiu investir em outras.

As contas externas, que já salvaram as contas do governo no passado, hoje sentem o erro de se produzir matéria-prima de baixo valor agregado para importar alta tecnologia de quem investiu em inovação, em educação e criou ambientes mais amistosos para os negócios, como Coréia do Sul e Vietnã. Aliás, esses dois países, que há pouco tempo atrás tinham muito a aprender conosco, hoje estão nos goleando. Muito mais que 7 a 1. O Brasil se esqueceu de melhorar sua produtividade e tecnologia e adotou, equivocadamente, medidas protecionistas. A história já provou que o protecionismo deixa nossa indústria obsoleta e cara. Quem não se lembra da reserva de mercado de informática nos anos 1980? Além disso, nossa carga tributária estratosférica e legislação trabalhista jurássica reduzem a competitividade de nossa indústria frente à China, e assim estamos perdendo parques industriais inteiros (vide nossa agora inexistente indústria de brinquedos). O atual governo teve a oportunidade de fazer as tão aguardadas reformas tributária e trabalhista, mas deu as costas a elas.

Enquanto esse cenário perdurar, o Brasil vai empobrecer. E, mesmo quando melhorar, ainda teremos que esperar a maturação dos investimentos…

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