A coligação PT-PSDB


Algumas reuniões entre representantes do segundo escalão de PT e PSDB ocorreram nos anos 1990. Cabe ressaltar que era um segundo escalão muito próximo aos respectivos caciques. As reuniões, poucas, discretas e sempre desmentidas por ambos, chamaram a atenção, é claro, e chegaram a ser notícia (pequenas) em alguns jornais de grande circulação. Mesmo os correligionários queriam saber de que se tratava. Naquele momento, ambos estavam se consolidando como o mainstream da política brasileira pós-Real em vários centros urbanos nacionais. Cada um tinha (e ainda tem) um público preferencial de maior penetração: o PSDB agradava mais a classe média e o PT começava a ganhar a confiança das periferias a partir de algumas administrações municipais bem sucedidas.

Num determinado momento surgiu um boato que o objeto das reuniões era uma pretensa unificação dos dois partidos. Alguns rapidamente desmentiram, mas outros preferiram admitir que houve algo do tipo na pauta, mas que seria impossível por “profundas diferenças ideológicas” entre os dois. Rapidamente as reuniões cessaram e nada mais se falou sobre o assunto.

Aqui começam as inferências. Digamos que tivessem concluído pela viabilidade de fusão do ponto de vista das lideranças partidárias. Seria um bom negócio para ambos? Creio que não, pois logo surgiria uma nova força, talvez partindo até de desertores de um ou de outro, e teriam que conviver com uma terceira força nascente.

Suponhamos que o objetivo (muito provável) fosse o fortalecimento de ambos. A melhor opção seria que permanecessem antagônicos, fortalecendo-se mutuamente através da identificação pública do outro como inimigo político, ignorando a existência dos demais partidos. Poderiam facilmente usar a paixão de seus seguidores a seu favor, criando um sistema dual difícil de se romper e que se fortaleceria a partir de si mesmo, a partir do ataque ao outro parceiro, e só ao outro. Cada um identificaria o outro como “direita” ou “esquerda”. Seria uma ótima ideia para o fortalecimento de ambos.

O único custo desse jogo seria ter paciência de esperar que o momento de um se extinguisse para surgir como seu principal oponente, a “alternativa” a ser buscada para trazer “mudanças”. E poderiam permanecer no poder, alternando-se por muito tempo, sempre mantendo o outro parceiro como a imagem da oposição. Tal como Democratas e Republicanos (EUA), Trabalhistas e Conservadores (Reino Unido), e assim por diante. Ficariam confortavelmente trocando de posição enquanto as paixões humanas do pessoal de baixo mantivesse a roda girando.

Seria possível? Boas ideias surgem por acaso. Pouco antes houve um fato interessante: pesquise sobre o ex-prefeito Maurício Soares, de São Bernardo do Campo, cidade berço do PT e ao lado da capital paulista, então QG do PSDB. Foi eleito pelo PT em 1988 e virou PSDB no meio do caminho. E aproveite para verificar a origem política de Henrique Meirelles, presidente do Banco Central durante a gestão Lula.

Se este acordo tivesse sido estabelecido nos anos 1990, teria sido bom para os dois partidos, que poderiam permanecer no poder por décadas dali em diante, bastando para isso agredir o outro. Sem dificuldades, sem custos desnecessários, criando um movimento de dois corpos girando um em torno do outro de forma a expulsar quem quer que se aproxime.

Daria certo enquanto as bandeiras partidárias de ambos fossem identificadas como representantes de grupos sociais em conflito. É uma ótima estratégia, e só enfrentaria dificuldades em duas situações: a) se passassem a ser identificados como uma instituição única ou b) se surgissem revoltas populares espontâneas declaradamente apartidárias. Nesse caso, algo novo teria que ser pensado. Talvez uma Reforma Política, algum pacto com a sociedade, sei lá… Quem sabe?

Haddad e Alckmin FOTO: MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO

http://blogs.estadao.com.br/diego-zanchetta/lider-do-pt-sai-em-defesa-de-matarazzo/

http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2013-05-22/afif-diz-que-nao-se-constrange-em-servir-psdb-e-pt.html

http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2012/03/31/interna_politica,286508/dobradinha-entre-pt-e-psdb-deu-certo-na-maioria-das-cidades-que-apostaram-na-uniao.shtml

http://www.tribunadoceara.com.br/noticias/video/cid-gomes-uniao-entre-pt-e-psdb/

http://embarquenanoticia.blogspot.com.br/2013/05/quisque-elementum-fringilla.html

http://eleicoes.uol.com.br/2012/noticias/2012/10/11/uniao-entre-pt-e-psdb-falha-e-candidato-do-pmdb-vence-em-cidade-com-pior-gestao-fiscal-do-pais.htm

http://www.esmaelmorais.com.br/2012/07/pt-e-psdb-promovem-suruba-partidaria-em-uniao-da-vitoria-pr/

http://www.marcoeusebio.com.br/coluna/o-que-diz-dirceu-sobre-uniao-pt-psdb-em-ms/26359

http://blog.opovo.com.br/blogdoeliomar/ciro-gomes-diz-que-escoria-nao-entra-na-uniao-pt-psdb/

http://www.matiponews.com.br/alianca-dem-pt-psdb-e-anunciada-em-lajinha/

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2 respostas para A coligação PT-PSDB

  1. Bruno Sp disse:

    Interessante! Isso corrobora o que o FHC disse no Roda Viva (disponível no YouTube) – que se reunia com Dirceu e com o Lula. Infelizmente as partes tomaram rumos beeem distintos na história.

  2. Pingback: Carta aos desempregados da era Lula-Dilma | Ricardo Trevisan

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